Cidades saudáveis: caminhos para manter o bem-estar social e preservar o meio ambiente

Atualizado: 6 de abr. de 2020

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “cidades saudáveis: parâmetros para preservar o meio ambiente e melhorar a saúde pública-urbana brasileira ”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


TEXTO I

Como parte do programa Cidades Saudáveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma série de diretrizes para orientar gestores, urbanistas e cidadãos a praticar “uma abordagem holística da saúde urbana”, de modo a responder ao desafio: como tornar uma cidade saudável?

Sete tópicos são abordados por meio de estudos de casos coletados pela OMS em prefeituras de todo o mundo: saúde mental, acidentes de trânsito, violência urbana, atividade física, qualidade do ar, dieta saudável e terceira idade.

Naturalmente, muitas das medidas aventadas envolvem intervenções longas, complexas e custosas em infraestrutura e na malha urbana. Mas é interessante notar quantas possibilidades há de se transformar o ambiente urbano a um custo mínimo ou mesmo zero, simplesmente com conscientização, mudança de comportamento ou pela ocupação de velhos espaços com novas ideias.

Por exemplo, pesquisadores da Universidade Cardiff, no País de Gales, constataram que em muitos países boa parte da violência urbana que resulta em socorros emergenciais não é conhecida pelas forças policiais. A partir disso, desenvolveram um método de coleta de dados em prontos-socorros sobre os horários e locais de agressões, uso de armas, acidentes e outras ocorrências. A identificação desses pontos críticos levou à modificação de muitas rotas de patrulha policial, pontos de iluminação, medidas de proteção aos pedestres, estratégias de segurança nas escolas e outras atuações preventivas. Na Grã-Bretanha, a violência que leva a internações hospitalares é hoje, em média, 42% menor nas cidades que implementaram o Modelo Cardiff em comparação com as demais, e a violência grave registrada pela polícia é 32% menor.

Na busca por hábitos alimentares saudáveis, a OMS constatou que o simples fomento à agricultura urbana e hortas comunitárias ou escolares estimula a produção local de alimentos não processados e induz os cidadãos a planejarem dietas mais equilibradas.

A OMS disponibiliza também valiosos instrumentos para o que se poderia chamar de “planejamento urbano baseado em evidências.” É o caso do programa para o desenvolvimento de cidades adequadas às necessidades dos idosos, que organizou um método multifacetado por meio do qual gestores ou quaisquer cidadãos podem diagnosticar em que medida um determinado ambiente urbano é ou não amistoso aos idosos e a partir daí buscar soluções.


Disponível em: https://portal.fiocruz.br/livro/cidades-saudaveis-alguns-olhares-sobre-o-tema



TEXTO III

Nas cidades, desde 1940 até hoje, condições inadequadas de habitação foram fazendo parte do quadro de mudanças urbanas, agravando os problemas de saúde, que se evidenciaram pelo aumento das doenças transmissíveis relacionadas à falta de saneamento básico, e também pelo aumento das doenças respiratórias relacionadas a umidade e falta de ventilação de casas autoconstruídas e à poluição atmosférica (Jacobi apud Comarú & Westphal, 2004). Como parte desse quadro de mudanças, o fenômeno da favelização demonstra a gravidade das consequências do processo de urbanização. O problema do crescimento do número de favelas que emergiu entre os anos de 1980 e 1991 e que continua se ampliando, especialmente nas grandes metrópoles do país, chega, até o Censo de 2010, a expor a precariedade de condições de habitação em que vivem 5,6% da população dos municípios brasileiros, perfazendo um total de 3.224.529 habitantes de casas nas favelas, correspondendo a 6.329 favelas localizadas em 323 municípios brasileiros. Condições de vida e habitação nos aglomerados subnormais mais conhecidos por favelas são altamente desfavoráveis à saúde e condição importante para o aumento do tráfico e uso de drogas e da violência urbana (Comarú & Westphal, 2004). Agora, 15 anos depois, esse número deve estar muito maior, dado que pouco foi feito em termos de políticas públicas do governo para estancar esse crescimento. Nos últimos anos a política pública federal do Ministério das Cidades, Minha Casa, Minha Vida, está se propondo a diminuir o déficit de habitação para a população carente do país, mas não tem conseguido atingir as metas propostas (Ministério das Cidades, 2015).


Disponível em: Marcia Faria Westphal Saudáveis: uma forma de abordagem ou uma estratégia de ação em saúde urbana?



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