Gentrificação: como promover revitalização dos espaços públicos e evitar segregação urbana?

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo expositivo-argumentativo em norma-padrão da língua portuguesa sobre o tema “Gentrificação: como promover revitalização dos espaços públicos e evitar segregação urbana?”, elaborando uma proposta de intervenção que respeite os Direitos Humanos.


Texto 1:


Gentrificação: Seu bairro não é mais para você


Aquele café gourmet que abriu perto da sua casa pode ser um sinal. O prédio de alto padrão na rua ao lado, as novidades gastronômicas, as lojinhas descoladas, tudo indica que o seu bairro está sendo valorizado. Agora sim! Bem, mas nada disso é para você. A não ser que esteja disposto a arcar com novos e elevados custos dessa transformação, é bom começar a procurar outro lugar para viver.

Ninguém quer morar em lugar feio ou longe daquilo que lhe é mais prático. Melhorias são sempre bem-vindas, mas repare que, quando os benefícios chegam, até o preço do pãozinho fica diferenciado. E aí a supervalorização bate na porta de casa avisando que o aluguel será reajustado. Quem ali já estava muitas vezes não consegue mais sustentar esse padrão de vida que foi imposto. Ironicamente, acaba tendo que se mudar para outra região, possivelmente com mais carências. Quer dizer, as melhorias foram para quem?

Esse processo, chamado de gentrificação, ultrapassa a prática positiva da revitalização. Disfarçado de desenvolvimento e muitas vezes confundido com progresso, funciona como uma espécie de filtragem social por meio das leis de mercado. Pode afetar todo mundo: você, o vizinho, o dono do mercadinho e até o empresário bem-sucedido, mas, se há um alvo certeiro, são as classes de renda mais baixa. É o que faz com que os reparos realizados naquele bairro não sejam destinados aos que ali habitam e sim àqueles que ainda virão.

Apontar um culpado por esse processo não é tão simples. Pode ser a revitalização de uma praça, um novo comércio ou espaço artístico, um prédio recém-construído, um serviço público disponibilizado. A discussão persiste há décadas no mundo inteiro, mas ganhou novo fôlego por aqui depois que o país passou a sediar grandes festivais de música, uma Copa do Mundo e se prepara para as Olímpiadas de 2016. Segundo dados da rede de pesquisas Observatório das Metrópoles, coordenado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham sido removidas ou estejam ameaçadas de remoção por causa dos projetos esportivos e da consequente supervalorização das áreas destinadas a esses megaeventos.

Foi por isso que, no início do ano passado, a revista “The New Yorker” chamou a Arena Corinthians, em São Paulo, de “monumento à gentrificação”, argumentando que a imponência do estádio contrasta com “a arruinada Zona Leste” e poderia aumentar o abismo da desigualdade social, guiada pela especulação imobiliária. De fato, nos últimos seis anos o aluguel de três dormitórios na região subiu 139,8%, de acordo com a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado de São Paulo.

O problema não é exclusivo das periferias. Os centros urbanos também estão em constante disputa. Há boas razões: são o espaço mais democrático das grandes cidades, seja pelas ofertas de todos os meios de transporte público, seja pelas oportunidades de trabalho, serviços, hospitais, escolas e opções culturais. A deterioração do local não é interessante para ninguém: barra uma possível atração imobiliária e ainda impede a instalação de melhores serviços e comércios. Por isso o poder público, associado à iniciativa privada, está sempre correndo atrás de planos de revitalização. É o que se vê na renovação do centro de São Paulo, nas obras da zona portuária no Rio de Janeiro ou no histórico cais Estelita no Recife.


Disponível em: https://www.ufjf.br/ladem/2015/07/08/gentrificacao-seu-bairro-nao-e-mais-para-voce-por-mariana-tramontina/


Texto 2:


Texto 3:


Como a especulação mobiliária altera a cidade


“A gentrificação é o mal urbano da nossa era. É a questão mais premente hoje quando falamos em habitação e urbanismo”, diz o urbanista Alan Ehrenhalt, autor de The Great Inversion and the Future of the American City (A grande inversão e o futuro da cidade americana), lançado no início do ano. Ehrenhalt estuda como as cidades vivem esse fenômeno urbano cada vez mais forte. Em inglês arcaico, "gentry" significa "de origem nobre". Isso já dá uma ideia do que gentrificação expressa. Ela acontece quando um bairro ou uma região tem sua dinâmica alterada pela chegada de novos comércios ou empreendimentos imobiliários que trazem consigo a valorização do local e afetam a população que vive ali, que precisa de mais dinheiro para continuar morando onde sempre morou, o que nem sempre é possível.


O resultado é a migração dessas pessoas para outras áreas e o fechamento dos comércios menores que resistiam por anos. Não há grande cidade que não tenha passado por um processo gentrificador em alguma região. Apesar de não ser fenômeno novo (bairros como a Vila Madalena, em São Paulo, ou o Soho, em Londres, são bons exemplos), ele se tornou mais urgente com aceleração da economia global.

Muitas vezes o processo é confundido com uma revitalização urbana, principalmente quando acontece de forma velada, gradativa. “A gentrificação sempre fez parte do processo da expansão das grandes cidades. Ela ocorre pelo interesse do setor privado, com a contribuição dos governos por meio de legislações de uso e ocupação do solo e o plano diretor dos municípios”, explica Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Assim, empreendimentos ressaltam melhorias de acesso e segurança e shopping centers prometem gerar mais empregos na região. Tudo em nome de um bem para a população. “Mas quase sempre com medidas de curto prazo e sem preocupação com os efeitos coletivos, sistêmicos, de cada obra”, diz.


Disponível em:https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2013/11/como-especulacao-imobiliaria-altera-cidade.html


70 visualizações0 comentário